Topo da Página
Portal de Acessibilidade do RS
Governo do Estado do RS - SDSTJDH
Início do conteúdo

Você está em: Página Principal » Depoimentos » Entrevista com Claudia Meyer - Vice-presidente do Instituto Autismo & Vida

Entrevista com Claudia Meyer - Vice-presidente do Instituto Autismo & Vida

Claudia Meyer com o filho diagnosticado com autismo aos três anos  Em alusão ao Dia Mundial de Sensibilização para o Autismo, confira a entrevista com a vice-presidente do Instituto Autismo & Vida, Claúdia Meyer. Mãe e defensora da causa, Claúdia conta como foi o início de sua militância na luta pela inclusão.



1. Com que idade você recebeu o diagnóstico de seu filho(a)?
Um pouco antes dos três anos de idade.


2. De lá pra cá, 16 anos se passaram, você percebe avanço nas redes de atenção?
Percebo que há mais informação e conhecimento do tema – não aquela surpresa como se estivéssemos falando de algo raríssimo, mas uma real capacitação dos profissionais da saúde e da educação ainda não acontece, como se fosse uma decisão pessoal estudar sobre autismo, algo que pudesse ser escolhido, e não um conhecimento necessário para contemplar a diversidade humana.

3. Quais barreiras ainda se fazem presente na vida do seu filho(a)? Você tem alguma sugestão para a remoção das mesmas?
A ignorância ainda é grande na sociedade em geral. As barreiras que enfrentamos são atitudinais, e talvez a maior parte delas pudesse ser eliminada pela maior conscientização.

4. Todos os direitos garantidos as PcD são garantidos as pessoas com Autismo. O que ficou grifado a partir da lei Berenice Piana - 12764/12. Este marco já se refletiu, na prática, na vida do seu filho(a)?
Creio que facilitou o acesso a todas as políticas públicas para pcds, sem que pareça estarmos “invadindo” direitos alheios, ou que tenhamos que usar de artifícios para isso (como priorizar o déficit intelectual, por exemplo).

5. O que mais te motiva para a militância, através da participação em associações representativas e conselhos?
Entendo que é necessário atuar em políticas públicas, ocupando assento em conselhos, por serem espaços criados exatamente para isso – como forma de diálogo entre o poder público e a sociedade civil. Além disso, só um permanente trabalho de conscientização pode fazer com que a sociedade em geral reconheça as singularidades das pessoas com autismo, evitando o preconceito e a discriminação, que funcionam como mais uma barreira.

6. No cenário atual, como se dá a inclusão de alunos autistas nas escolas?
Ocorre de maneira bastante desigual. Há escolas cumprindo a lei (recebendo todos os alunos, com e sem deficiência), e há muitas escolas ainda driblando, com uma boa dose de criatividade, este dever – alegando não ter vagas, ou, pior, alegando não estarem preparadas e alertando que não será um bom lugar para alguém deixar seu filho ou sua filha. Há também situações em que não ocorre a negativa de matrícula, mas também não ocorre a inclusão, mas um trabalho de capacitação e superação das singularidades das pessoas com autismo, que também escapa ao propósito da inclusão, onde a remoção das barreiras facilitaria o processo pedagógico.

7. O número de professores capacitados têm dado conta da comunidade autista?
Definitivamente, não. Mas há professores não capacitados especificamente, que dão conta muito bem! Acontece que a vontade ser mais decisiva que a capacitação.

8. Como é feita a inclusão no mercado de trabalho?
Há programas de aprendizagem, que possibilitam a inserção no mercado de trabalho de pessoas com autismo que não puderam desenvolver todo seu potencial, inclusive a alfabetização, até pelas dificuldades na inclusão escolar. Claro que há casos de superação também. Mas nosso foco não são os super-heróis, mas pessoas comuns, que não tem que ser postas à prova o tempo todo, mas sim ter acesso aos bens da vida, sem exceção.

9. O Instituto possui atividades para as famílias? Quais?
O Instituto Autismo & Vida possui atividades que visam o empoderamento dos familiares, como as reuniões mensais, com palestras ou trocas entre familiares, amigos e profissionais, o bate-papo (troca entre familiares sobre o impacto do diagnóstico, as possibilidades de intervenção, a escolha de profissionais para o atendimento da(o)s filha(o)s), e atividades de recreação, destinadas a lembrar aos familiares que a vida segue, cheia de encantos e possibilidades.


10. Qual teu maior desejo em relação às medidas de inclusão das pessoas com deficiência?
Que as pessoas com deficiência não precisem superar suas deficiências. Ao contrário, que possam viver suas vidas sem sacrifício, através da acessibilidade plena a todos os bens da vida, pela remoção das barreiras, físicas e atitudinais. Não somos todos iguais, mas todos merecemos respeito.


ASCOM/Faders Acessibilidade e Inclusão



Página anterior | - | Voltar para o topo da página





Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades no Rio Grande do Sul FADERS
Rua Duque de Caxias, 418 - Bairro Centro - Porto Alegre/RS - CEP: 90.010-280
Telefone/Fax: (51) 3287-6500 - faders@faders.rs.gov.br
Horário de atendimento: De segunda à sexta-feira das 8h ás 12h e das 13h30 ás 17h30
Todos os direitos reservados.